
Nesta cidade me perco e me reencontro a cada esquina, para novamente perder-me. Conheço estes becos que dão em outros becos, que sobem por ruas estreitas ao cimo de cada uma de suas sete colinas, conheço este castelo a espreitar-me lá do alto, majestoso, as paredes azulejadas de azul sobre ouro, e carmim e verde com motivos do século XVII. Ah, conheço as águas deste rio-mar que define a ceidade, assim como o burburinho do seu pequeno comércio de portas estreitas e muitos artigos expostos, a irritação dos seus velhos, o caos do seu trânsito. Conheço também a nova juventude - diferente da antiga, pois esta nova afina-se com as útimas idéias e modas e gostos da Europa -, assim como os gigantescos shopping centers, as novas estações de metro, as sofisticações que antes não havia. Tudo, novo e antigo, envolto pelo aroma inconfundível das castanhas, dos azeites, do bacalhau preparado por tantas imaginações, sobretudo a melhor, aquela crescida dentro dos lagares, o à lagareira.
Reconheço tanto Lisboa porque aqui morei durante um ano e meio, e porque visitei a cidade algumas vezes. Mas reconheço também Lisboa porque a vi muito antes de aqui vir, a vi na minha Salvador natal, em Goiás Velha, Diamantina, Lençóis, São Luiz... nas muitas Lisboas brasileiras.















