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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um tempo


Queridíssimos amigos e leitores,


Este post oficializa uma situação que já vem existindo de fato: a suspensão deste blog por algum tempo. Desde junho, quando publiquei o livro de/sobre minha mãe, a poeta Jacinta Passos, me vi envolvida em muitas atividades ligadas ao livro (três lançamentos, entrevistas, site, blog, etc.), atividades que me interessam, já que o principal objetivo do livro é justamente o de divulgar a trajetória poética e pessoal de Jacinta. Passei também por um período pessoal conturbado, envolvendo desde uma fortíssima tendinite até problemas e doenças em família. Tudo sob controle agora, mas esse tipo de coisa, vocês sabem, nos consomem tempo e energia.

Finalmente, também tenho estado empenhada em reunir, organizar e aperfeiçoar meus escritos literários, com vistas à publicação. Tenho trabalhado nos poemas e textos para crianças e também em contos para adultos. Ah, e há também as viagens, para perto e para longe, de que não abro mão enquanto saúde e recursos permitirem, pois são fonte de muito prazer e inspiração. Amanhã mesmo parto para a ilha mágica da Sicília.

Compreendo a blogosfera como uma atividade essencialmente interativa — ler e comentar os posts dos outros é tão rico e importante quanto escrever e publicar os próprios —, o que demanda disponibilidade e tempo. E o fato é que, pelo conjunto de motivos relatados, não tenho conseguido atualizar os blogs. Conseguiria aqui e ali no máximo postar um texto meu, mas não quero assim: quero meu círculo de leitores e amigos de volta, quero a beleza e a riqueza de toda essa experiência para mim maravilhosa. Tão maravilhosa que retardei o quanto pude este texto de agora, na esperança de que, na próxima semana, sim, seria possível retornar à blogsofera.

Assim, meus queridos, paro aqui, mas voltarei. Assim que possível, espero que em breve. Por ora, as flores aí de cima, o meu abraço carinhoso e o meu agradecimento a vocês todos, pelo que me proporcionaram de convívio rico, intenso, instigante, bonito, pelas lágrimas e risadas. 

Em tempo: o site e, dentro dele, o blog de Jacinta continuarão atualizados. E eu permaneço no twitter e no facebook, meios mais fáceis e descompromissados do que os blogs.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Volto já

Amigos, estou saindo para uma viagm básica. Não demoro! Abraços a todos vocês.

* Imagem daqui.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Flagrantes de Sydney, Austrália

[Da série Uma brasileira na Austrãlia]
Vagabundeando pela cidade, a gente descobre:
Os parques são muitos, lindos e preservados. Este é o Hyde Park (há tendência a repetir os nomes londrinos), bem no centro da cidade. A bandeira é um outdoor, um anúncio. Todos os anúncios públicos têm de ser assim, em forma de bandeiras, pregadas nos postes. Isso impede a poluiçâo visual e enfeita a cidade.

Linguagem universal...
(Trata-se de uma joalheria)

Parece um hotel, mas é um pub (bar). A cidade está cheia deles, o povo aqui bebe bem. Como na Inglaterra, antigamente os pubs funcionavam também como hotéis, decerto para abrigar os bêbados que não conseguiam sair do lugar... Hoje, os bêbados que se virem - mas os letreiros continuam os mesmos, confundindo-nos.

Tudo é muito bem sinalizado. Difícil se sentir perdido, na cidade ou no campo.

Deus também precisa descansar. ..

* Fotos de Luiz Carlos Figueiredo

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Na rota do sol - Austrália


[da série Uma brasileira na Austrália]

A viagem até Sydney foi menos cansativa do que imaginávamos - muitas horas, sim, mas tivemos sorte, Luiz (meu marido e companheiro de viagem) e eu viemos confortavelmente deitados em bancos de três lugares. Donde se conclui, mais uma vez, o óbvio: o bom do mundo é dos ricos e dos muito ricos, que, nas suas primeiras classes e classes executivas, sempre viajam esparramados... Achei a Qantas excelente, os comissãrios de bordo, simpáticos, não pararam de oferecer comidinhas, bebidinhas e agrados, tornando o vôo o melhor possível.

Para mim, o mais interessante da viagem foi vivenciar o dia mais longo da minha vida - embarcamos às 14.30hs em Buenos Aires, e, depois de viajarmos quase quinze horas, ainda continuávamos à luz do dia, ainda víamos o sol! Voamos, portanto, não apenas em direção ao futuro, mas junto com o sol. Foi lindo.

Levei uns dias para me acostumar à diferença brutal de fusos horários. Para mim, o melhor foi deixar o organismo à vontade, dormindo e acordando quando quisesse, e assim aos poucos ir entrando no eixo (ou saindo de vez). Demorei dias para postar aqui por uma só e simples razão, mas desesperante - como não trouxe meu laptop, não conseguia escrever em português, nos computadores que encontrava. Alguém menos anarfanet do que eu teria resolvido isso com facilidade. Agora, entretanto, que mais ou menos consegui me ajeitar neste teclado aqui, pretendo tirar a diferença.

Estou absolutamente fascinada pela cidade de Sydney.
Razões no próximo post.

*Vejam na foto (de Luiz Carlos Figueiredo) como cidade e mar se integram.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Viajar é narrar


Sou leitora antiga e ávida de literatura de viagem, adoro acompanhar emoções e aventuras das pessoas em terras estranhas, desconhecidas para elas. Sou daquelas fanáticas mesmo, gosto de tudo no gênero, desde clássicos como as viagens de Heródoto, as mansas inverdades de Marco Pólo, os relatos de viajantes estrangeiros no Brasil, A ilha do tesouro, Passagem para a India etc., até aquelas narrativas enlouquecidas, inventadas, de piratas, náufragos e mocinhas raptadas por bandidos terríveis vivendo todos em ambientes exóticos e perigosíssimos, escritos na mais legítima subliteratura...

Tenho me lembrado disto porque estou me preparando para uma viagem de um mês para, literamente, o outro lado do mundo: a Austrália. Ando com vontade de registrar aqui no blog minhas aventuras e desventuras, em textos curtos e o mais desprovidos possível de auto censura, dos filtos do politicamente correto, das informações exatas etc.: afinal, o que mais me encanta em relatos de viagem é justamente o estranhamento.
"Uma brasileira na Austrália". Que tal? Vale a pena? Será que consigo?
*Imagem: criação de Rooney Mathews, que encontrei neste blog sobre brinquedos.

sábado, 31 de outubro de 2009

Viajar é sonhar


Amigos, muitíssimo obrigada a todos os que passaram por aqui nos últimos dias, dando uma força, deixando uma mensagem carinhosa, torcendo, rezando ou fazendo pensamento positivo pelos meus doentes. Quero lhes dizer que deu certo: meu pai está bem melhor, vai ser transferido para um quarto comum de hospital; e o jovem André teve a terrível pneumonia debelada ontem. Sinto-me grata, muito grata, feliz, otimista, coração limpo. Obrigada. É muito bom não se sentir só. Creio que dentro de poucos dias, terei a alegria de estar de volta aos blogs de vocês, leitora ávida. Por enquanto, ainda passo os dias no hospital, onde meu laptop não pega, e, mesmo se pegasse, a imaginação foge. Saúde a todos vocês!.

[Da série sobre viagens]

A viagem

Quem é alguém que caminha
Toda a manhã com tristeza
Dentro de minhas roupas, perdido
Além do sonho e da rua?
[...]
Alguém me diz toda a noite
Coisas em voz que não ouço.
- Falemos na viagem, eu lembro.
Alguém me fala na viagem.

João Cabral de Melo Neto, O engenheiro, 1945 (primeira e última estrofes).
* Imagem daqui

domingo, 23 de agosto de 2009

Viajar é perder-se


[Continuando a série sobre viagens]

Viagem

Viajar
mas não
para

viajar
mas sem
onde

sem rota sem ciclo sem círculo
sem finalidade possível.

Viajar
e nem sequer sonhar-se
esta viagem.

Orides Fontela (do livro Rosácea, 1986)

Apesar de pouco conhecida do público, a paulista Orides Fontela (1940-98) é uma das melhores poetas brasileiras do século XX. Teve uma vida difícil, devido a problemas ecônomicos e mentais — faleceu em um sanatório —, mas sua poesia mereceu prêmios importantes, como o Jabuti e o da Associação Paulista de Críticos de Arte. A obra de Orides Fontela está agrupada no volume póstumo Poesia reunida (S.Paulo: 7 Letras/Cosacnaify, 2008), um livro em que vale a pena viajar, redescobrir-se, perder-se.
*Imagem: "Scape", pintura de Stephen Linhart

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Viajar é dar um tempo no blog

Amigos, escrevi tanto sobre viagem nos últimos tempos, viajei tanto em sonhos, imaginação, desejos, que cá estou eu no interior de São Paulo, em visita à família do marido, que se tornou minha também. Esse cantinho do Estado de São Paulo (área próxima a Ribeirão Preto, conhecida como "oeste paulista", mas que na verdade fica no leste - era oeste em relação ao Estado do Rio de Janeiro, onde as plantações de café começaram, para alastrar-se depois pelas terras férteis do interior paulista, trazendo consigo as estradas- de-ferro), este cantinho paulista, tão diverso do meu Nordeste natal e do Rio de Janeiro da minha infância e juventude, incorporou-se à minha vida desde que, há anos, fui aqui trazida pelo Luiz, paulista de Araraquara, com muito orgulho, sim senhor.

O interior paulista é um país à parte, costumo dizer, como outros países também temos no Brasil. Terra de gente muito hospitaleira, com aquele ar gostoso de abraço, mesa farta, bolos, doces, quitandas, sua gente calma e de gostos rurais, mesmo quando na cidade. Mas também terra de progresso, dinheiro, intensa circulação de mercadorias, terra de transformações econômicas rápidas - hoje vejo aqui um mar de cana, estimulado principalmente pelo programa do etanol, e criado em apenas poucos anos -, uma gente com um pé bem fincado aqui e um olho na capital, no estudo, na mudança. Terra de índios (as Piracicaba, Ipuã, Nuporanga, Ituverava, Guará estão aí para lembrar o massacre dos primeiros habitantes do lugar, que no entanto revivem no cabelo corredio, nos olhos puxados e na pele maravilhosamente lisa de alguns), terra de negros, terra de imigrantes, de italianos a japoneses, a coreanos, a portugueses, a espanhóis, a árabes...

Existem muitos velhos, principalmente velhas, na nossa família. Nesses dias tenho ouvido delas histórias emocionantes, um pedacinho aqui - a gente adivinhando o resto, entre pães de queijo e bolinhos de fubá -, um olhar furtivo ali, um meio sorriso mais adiante, uma gargalhada que escapuliu...

Na falta de tempo - cadê possibilidade de correr até a lan house, com tanta atividade que esse povo arruma pra gente? - registro agora apenas a história da tia cansada de, todos os dias, durante décadas, ficar à disposição do marido às cinco horas da tarde, para servir-lhe a janta, que ele, homem metódico, exige às seis, porém exige fresca, recém preparada por ela (a comida do almoço não lhe serve), mas, muitas vezes, contrafeito, ou desinteressado, não come. Pois essa tia, cansada da doméstica obrigação, anteontem deu seu grito de independência, viajando conosco para a cidade vizinha, onde nasceu e passou a infância, sem horário - sem horário, vejam bem - para retornar ao marido e à sua janta das seis. Desejava realizar um sonho, pasmem, de anos - perambular um pouco pelas ruas da cidadezinha natal, reconhecer nos velhos prédios, na estação, na praça principal partes do próprio passado, decerto para tentar conferir algum sentido, alguma forma à existência ali vivida: quem sabe a de uma colcha colorida de retalhos, tão bem feita pelas velhas do lugar? Assim a tia fez, andando sozinha o quanto quis. Depois reuniu-se a nós na casa de uma sobrinha, para boas gargalhadas, que a família é palhaça, até as oito, as nove, as dez, sei lá até a que horas da noite, daquela noite que escolheu para ser unicamente dela.

Tive a maior admiração pela tia. Para mim, seu tímido, pessoal, rouco e abafado grito de independência foi tão importante quanto os feitos das outras mulheres nossas mais famosas. As vidas de muitas mulheres ainda se passam exclusivamente entre os estreitos corredores familiares, e toda conquista ali, na obscuridade e submissão da cozinha e da alcova, é tão impressionante quanto as mais retumbantes vitórias coletivas femininas.

Volto a contatar de Maceió. Se dispuser de algum tempo antes disso, retorno daqui para contar-lhes a história da tia que foi a primeira da região a se casar com um japonês e a ter de adaptar-se àquela distante (hoje muito mais próxima) cultura.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Viajar é imaginar

[Continuando a série sobre viagem]

"O pensamento da gente se forma mais forte que o poder do lugar."
(Guimarães Rosa, Cartas)

"Não está em nenhum mapa. As terras de verdade nunca estão."
(Herman Melville, Moby Dick)

"Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei"
(Manuel Bandeira, Vou-me embora pra Pasárgada)

Não me desenhe mapas, senhor.
Minha cabeça já é um mapa do mundo inteiro."
(Henry Fielding, História de Tom Jones)

[Imagem daqui]

sábado, 4 de julho de 2009

Viajar é confundir-se
















[Continuando a série sobre viagens]


Sempre li que o mundo, formado por terra e água, era esférico, e as autoridades e experiências de Ptolomeu e tantos outros ... comprovaram isso. Agora vi tanta desconformidade, como já disse, que passei a considerar o mundo de maneira diversa, achando que não é redondo do jeito que dizem, mas do feitio de uma pêra que fosse toda redonda, menos na parte do pedículo, que ali é mais alto, e que esta parte do pedículo seja mais elevada e mais próxima do céu, e se localizar abaixo da linha equinocial, neste mar Oceano, nos confins do Oriente.”

[Trecho de uma carta de Cristóvão Colombo aos reis de Espanha, após a sua terceira viagem à América, ocorrida em 1498-1500.
Viajar também é confundir-se, perder as referências, principalmente quando se depara com o inesperado, como aconteceu com Colombo, e pode acontecer com a gente.]

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Viagem — passagem


esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem

Paulo Leminski
* Imagem daqui

terça-feira, 30 de junho de 2009

A viagem não acaba nunca

“A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: “Não há mais que ver”, sabia que não era assim. O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.”

[Último parágrafo de Viagem a Portugal, de José Saramago, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, 2003, em Portugal pelo Círculo de Leitores, 1981, e por Editorial Caminho, a partir de 1985. Conheço poucos textos com essa extraordinária capacidade de, em apenas um parágrafo, expressar os múltiplos sentidos da viagem. Já é um clássico sobre o assunto, um dos meus preferidos. Quis compartilhá-lo com vocês.]
*Imagem daqui

domingo, 7 de junho de 2009

Quinquilharias




Em toda parte do mundo há estas lojas entupidas de quinquilharias, bugigangas, tralhas, pequenos e variados objetos de pouco valor... adoro!
Na minha ignorância, pensei que a palavra "quinquilharia" — acho-a engraçada, me lembra sons de guizos, de pulseiras de metal batendo umas nas outras — fosse nossa, mas vejo que veio do francês. E "bugiganga"... do espanhol. No mundo inteiro juntamos (e vendemos) quinquilharias, ainda bem...

* Foto que tirei na pequenina cidade de Uzès, Provence, França. Aos sábados, durante a feira que ocupa as suas ruas, Uzès inteira recende a alfazema, a ervas, a pão quente, a queijos de cabra e aos pequenos mistérios do cotidiano, garimpados nas conversas dos compadres.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Por ai

Amigos, o queijo, o vinho, o champagne e tantas outras coisas deste pais sao uma maravilha, mas o teclado eh uma merda. Assim, este pequeno texto segue sem acentos mesmo. Eh uma pequena nota escrita na pequena cidade de Villefranche-sur-mer, ao lado de Nice, no sul da Franca, por onde ando agora. Ciber cafes sao raros por aqui (frances nao eh muito chegado a tecnologias), e com este teclado fica impossivel escrever muito, entao quero lhes dizer so isto: este pequeno porto do Mediterraneo me lembra pinturas - nao por acaso artistas como Matisse, Leger, Chagall e outros se sentiram atraidos pela luz e beleza do lugar -, e as altas montanhas, coladas aqui atras, incrustradas de pequenos vilarejos medievais murados, me lembram historias, de uma historia muito antiga. E nao sei por que hoje me deu uma nostalgia danada do Brasil. E - sei por que - saudades de voces todos.
(Vai sem imagem hoje, porque o computador do ciber cafe nao permite colar nada. Mas quem se interessar, procure p.f. Villefranche-sur-mer no google, peca imagens, e veja que gracinha de tirar o folego eh isto aqui)

sábado, 28 de março de 2009

Viajando

Queridos amigos, comecei ontem uma viagem que deve durar até o início de maio. Por enquanto estou na Bahia, para o aniversário de 87 anos de meu querido pai, e para alguns compromissos. Daqui vamos (maridão junto) voar um pouco por esse mundo de meu Deus. Não vou levar o laptop, nem sei se conseguirei acesso frequente à internet. Vou tentar, sim, para registrar algumas impressões de viagem , para fazer contato com vocês - sem os quais não consigo mais viver! - e para não deixar que vocês se esqueçam de mim. Puxa vida, não quero perder vocês, não quero me perder de vocês. Um beijão, um abraço, um até logo.