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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Para os meus amigos


Pra mim, amigos são as pessoas mais importantes do mundo. Eu não sobreviveria sem eles. Pelos meus amigos, faço qualquer coisa. Amizade, para mim, é o mais precioso dos sentimentos.

Nós, brasileiros, somos amigueiros. Temos lindas músicas sobre amizade. "Amigo é coisa pra se guardar / do lado esquerdo do peito", canta inesquecivelmente Milton Nascimento. E vejam a beleza desta canção de Capiba e Hermínio Bello de Carvalho, Amigo é Casa, na interpretação de Zélia Duncan e Simone — dedico-a a vocês:

http://www.youtube.com/watch?v=3v73ecjopiQ


sábado, 30 de maio de 2009

Sertão



Se eu soubesse que chorando
Empato a tua viagem
Meus olhos eram dois rios
Que não te davam passagem


Cabelos pretos anelados
Olhos castanhos delicados
Quem não ama a cor morena
Morre cego e não vê nada

Letra e música de Antônio dos Santos, o Volta Seca, cangaceiro do bando de Lampião. Adoro estes versos, principalmente a primeira estrofe.
Escute aqui a gravação original, cantada pelo próprio Volta Seca. Para saber mais sobre essa beleza de disco , clique em Cantigas de Lampeão.

Aqui, você ouve "Acorda Maria Bonita", bem mais animada, cantada também por Volta Seca:



Hoje acordei sertaneja. Inspirada talvez pela literatura de Herberto Salles, de que tanto gosto, talvez por fotos de sertanejas que andei vendo. E porque, para além da geografia, sertão faz parte do imaginário da gente brasileira, lugar íntimo, relicário, origem, princípio e fim, tempo remoto, futuro, raiz e flor aonde precisamos e gostamos de vez em quando de voltar.
Acordei sertaneja.

*Imagem daqui

terça-feira, 3 de março de 2009

Pra começar bem o dia 3


"Fiz a cama na varanda

Me esqueci do cobertor

Deu o vento na roseira (ai meus cuidados!)

Me cobriu toda de flor"

Texto: "Fiz a cama na varanda", xote, Dilu Mello e Ovídio Chaves, 1944; existem várias versões da letra e da música. Imagem: "A Primavera", de Sandro Botticelli, original na Galleria degli Uffizi, Florença. Porque o vento leva as flores, que passeiam pelo mundo.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Sabedoria


Dorival Caymmi, ontem, no programa da Globo em sua homenagem:

"Nunca gostei de trabalhos pesados e estafantes.
Sempre preferi os leves e não constantes."

Em sessenta anos de carreira, compôs cem músicas (menos de duas, em média, por ano).
Mudou a cultura brasileira.

[O enredosetramas tá de visual novo. Vai lá conhecer!]

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Vida marvada











Hoje, estou sentindo uma preguiça!
Milhares de coisas pra fazer, e essa vontade de só ficar no ócio, deitada na rede,
me balançando...

Vida marvada

Você não sabe como é bom viver
Numa casinha branca de sapé
Com uma mulher a nos fazer carinho
Uma galinha, dois ou três pintinho

Se o sol tá quente a gente arranja rede
Garra a viola presa na parede
Acende o pito cospe e passa o pé
E deixa a vida como Deus quiser

Eh! vida marvada
Não adianta fazer nada
Pra que se esforçar
Se não paga a pena trabalhar!

Não sei por que aqui não nasce nada
É só capim, só mato, espinharada
Não nasce arroz nem milho nem feijão
Não sei o que existe neste chão
De manhã cedo eu olho pra rocinha
Pra ver se às vez nasceu qualquer coisinha
Mas qual o quê, não nasceu nada, não
Plantando nasce, mas não planto, não!

Eh! vida malvada... [bis]
[Deliciosa toada mineira, que expressa tudo o que sinto hoje. Letra — uma das versões — de Lúcio Mendonça de Azevedo, música do grande Almirante]

terça-feira, 18 de novembro de 2008

De papo pro ar


Gente, tô me submetendo a uma pequena cirurgia na mão direita. Coisa simples: "dedo em gatilho", inflamação que dá no tendão do dedo e o deixa preso no tubo que o envolve; quando a gente curva o dedo, parece que tá apertando o gatilho de um revólver. Cruz credo, logo eu, pacifista! Os médicos têm o maior desprezo pelo meu dedo em gatilho, coisa simples, nada desafiadora para suas sapiências. Eu é que sei como dói. Minha vingança contra esses médicos é revelar que eles simplesmente não sabem a causa do problema. Sabem diagnosticar, sabem tratar, mas não sabem a causa — incerta, ignorante medicina! Pronto, já me vinguei.

Vou ficar duas semanas com pontos na mão. E como é que vou viver todo esse tempo sem escrever aqui, postar meus textos, ler os de vocês? Não posso mais viver sem isso, tô viciada em vocês! Bolei uma estratégia: escrevi alguns textos, vou ver se alguém os posta pra mim, aos poucos. Não é a mesma coisa, não tem a graça do improviso nem a riqueza do diálogo, mas ao menos diminuirá minha saudade e frustração. Vamos ver se funciona. Não sumam!

Enquanto isso, é pensar positivo: vou ter um tempo gostoso de repouso, de não fazer nada, de mordomias, água de coco, papo pro ar... Como há décadas prega esta música que acho ótima (nada a ver com minha origem baiana), composta por Joubert de Carvalho, com letra do poeta Olegário Mariano:

De papo pro ar

Eu não quero outra vida
Pescando no rio de Jereré
Tenho peixe bom
Tem siri patola
Que dá com o pé

Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade me atormentar
Eu me vingo dela
Tocando viola de papo pro ar

Se compro na feira
Feijão, rapadura
Pra que trabalhar
Sou filho do homem
E o homem não deve
Se apoquentar

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

As múltiplas possibilidades das coisas

(Foto: "Na pressão", de Luis Augusto Jungmann Andrade)
Juro que aconteceu assim: primeiro escrevi, no enredosetramas, o post sobre a letra do Chico, O que será que será. Depois, procurei uma foto que a ilustrasse. Precisava de uma foto misteriosa, intrigante, que combinasse com a letra e com meu pequeno comentário a ela. Escolhi uma foto (do ótimo site português olharesaeiou) que me pareceu dialogar bem com a letra.
Aqui, na chamada de ontem para o enredosetramas, postei o mesmo título e a mesma foto de lá. Ao escrever, porém, a frase “Quer descobrir? Clique aqui”, eu pensava no título do post, "O que será", e não na foto. Minha idéia era a de que os leitores, remetidos a enredosetramas, palpitassem lá sobre a letra do Chico.
Qual não foi a minha surpresa quando o Adelino e todos os outros comentadores do post de ontem palpitaram, aqui, sobre o que seria não a música, mas... a foto! Adorei isso. Me fez pensar 1) na força da fotografia; 2) em daqui pra frente ser mais clara: não confundir os dois posts, embora mantendo o diálogo entre eles.
Mas, principalmente, o que aconteceu ontem me apontou, mais uma vez, as múltiplas possibilidades das coisas: uma música que todo mundo conhece faz perguntas cujas respostas ninguém ao certo conhece (isso, gente, lá no outro blog, he he); aqui, uma foto posta só para ilustrar se agiganta, despertando diversas interpretações; algo que escrevo aqui com uma intenção repercute em outra direção. Enfim, nada é necessariamente o que parece, ou o que a gente quer que seja. Esses são os truques que realmente me interessam: os das infinitas possibilidades da nossa imaginação e da nossa interação.
Ah, a foto? O que é? A mim, parece metade de um coco, emitindo intensíssima luz (acho que foi essa luz que me atraiu). Mas, se vcs. tivessem clicado no link do fotógrafo, veriam que ele mesmo esclarece o mistério. Sua foto se chama... “A paisagem que escapuliu”.
Hi, hi, hi...