
poema inútil
Irascível, o poeta resolve rever a própria obra.
Elimina oitenta e nove por cento dos poemas.
“Ruins, péssimos”. Dos onze por cento restantes,
extermina metade, vocifera: “Dispensáveis”.
Ah, poeta!
Não vês? As melhores coisas não servem
rigorosamente para nada. Existem. Simples
assim. Ofertam-se ao mundo, apesar de
certos seres humanos e poetas carrancudos,
a quem, aliás, não dão a mínima importância.
Ah, poeta!
Dá-me todos os versos que jogaste fora. Pesca-os
com paciência, alguns talvez não queiram retornar.
Faz com eles um buquê desajeitado e me oferta.
Adoro coisas inúteis: flores azuis, gargalhadas,
longos pescoços que se curvam graciosos ao luar,
o esperar dos velhos à janela e
Poemas.
Janaína Amado
Irascível, o poeta resolve rever a própria obra.
Elimina oitenta e nove por cento dos poemas.
“Ruins, péssimos”. Dos onze por cento restantes,
extermina metade, vocifera: “Dispensáveis”.
Ah, poeta!
Não vês? As melhores coisas não servem
rigorosamente para nada. Existem. Simples
assim. Ofertam-se ao mundo, apesar de
certos seres humanos e poetas carrancudos,
a quem, aliás, não dão a mínima importância.
Ah, poeta!
Dá-me todos os versos que jogaste fora. Pesca-os
com paciência, alguns talvez não queiram retornar.
Faz com eles um buquê desajeitado e me oferta.
Adoro coisas inúteis: flores azuis, gargalhadas,
longos pescoços que se curvam graciosos ao luar,
o esperar dos velhos à janela e
Poemas.
Janaína Amado
