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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Poema inútil


poema inútil

Irascível, o poeta resolve rever a própria obra.
Elimina oitenta e nove por cento dos poemas.
“Ruins, péssimos”. Dos onze por cento restantes,
extermina metade, vocifera: “Dispensáveis”.

Ah, poeta!

Não vês? As melhores coisas não servem
rigorosamente para nada. Existem. Simples
assim. Ofertam-se ao mundo, apesar de
certos seres humanos e poetas carrancudos,
a quem, aliás, não dão a mínima importância.

Ah, poeta!

Dá-me todos os versos que jogaste fora. Pesca-os
com paciência, alguns talvez não queiram retornar.
Faz com eles um buquê desajeitado e me oferta.
Adoro coisas inúteis: flores azuis, gargalhadas,
longos pescoços que se curvam graciosos ao luar,
o esperar dos velhos à janela e

Poemas.

Janaína Amado
[Imagem daqui]

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Máscaras


Máscaras

Carnaval acabou.
Tiro as minhas máscaras
uma a uma, lentamente.
Dói.

Resta a derradeira, justo
a máscara mais antiga.
Ganhei-a quando nasci:
a única em que
eu não me reconheço.
(Máscaras, de Janaína Amado - Creative Commons)