Neste retorno de viagem, quando ainda não aterrissei completamente – imagens de lá e de cá se confundem em nuvens e estranhos sentimentos–, compartilho com vocês este poema, escrito por um poeta que admiro e sempre leio:
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Não é sempre que estamos para papos
com anjos: o da espada
auriflamante era só engraçado.
Diz-se que até um anjo
da guarda, ao olhar-se no espelho, caiu
na gargalhada.
Mas se algum anjo bater na sua janela
ou escrever nela alguma algaravia,
não ria: talvez sejam palavras
belas.
Antônio Brasileiro, Pequenos assombros
(Bahia, Edições Cordel: 2001)
*Imagem: Domenico Beccafumi - detalhe de São Miguel caçando os anjos rebeldes, 1528.
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