
Vejam que delícia este poema sobre gatos, escrito por Nelson Ascher para uma amiga cujo gato havia morrido:
Elegiazinha
Gatos não morrem de verdade:
eles apenas se reintegram
no ronronar da eternidade.
Gatos jamais morrem de fato:
suas almas saem de fininho
atrás de alguma alma de rato.
Gatos não morrem: sua fictícia
morte não passa de uma forma
mais refinada de preguiça.
Gatos não morrem: rumo a um nível
mais alto é que eles, galho a galho,
sobem numa árvore invisível.
Gatos não morrem: mais preciso
— se somem — é dizer que foram
rasgar sofás no paraíso
e dormirão lá, depois do ônus
de sete bem vividas vidas,
seus sete merecidos sonos.
Nelson Ascher
(Parte alguma. São Paulo: Companhia das Letras, 2005)
* Imagem daqui
10 comentários:
Eu adoro gatos! Eles lá. E eu aqui!
Então, eu sempre tive cães e achava muito cute, a gata de uma amiga, uma angorá turco! Esta gata cruzou com um gato belíssimo, raçudo! (rs*) um somali, que parecia um tigrinho. Os filhotes lindos e, eu admirava! Achava lindo mas não era pra mim! Essa amiga me deu um filhotinho e eu desajeitada para criar gatos, tratava-o como cachorro. E com medo da minha mãe dar fim no gato (ela odeia gatos) eu colocava ele na mochila e andava para cima e para baixo. Muitas vezes ele saia da mochila e assustava as pessoas.
Como foi bom lembrar disso! O Zé Ronaldo Gatinho ficou enorme depois de muitas vitaminas e cálcio que dei à ele. Um gatão!
Apaixonou e me abandonou! :(
Assim são os gatos, eles sempre sabem o que querem!
Veja este video:
http://bit.ly/3ALRSa
Sensível o Nelson Ascher em dar este poema para a amiga.
Beijus
Nelson Ascher foi incrível, belíssimo poema.
Aiiiiiii...
Eu sempre amei cães e sempre suspeitei de gatos até achar a minha na rua!
Paixão à primeira vista!
Nem quero imaginar qndo ela se for...
Obrigada, Jana, por essas linda palavras!
Beijos
Lindo poema! Vou mostrar pra Emília e Caio, porque a família toda aqui é derramada por um certo Chico, o dono da casa! Elevar pro blog sobre gatos que criamos e tem ficado um pouco preguiçoso ultimamente!
Tenho dois gatos, O Oswaldo e a Fátima. São os donos da casa. Quem tem gato sabe disso - a casa é deles, você apenas é o visitante. E esse belo poema traduz exatamente o estilo de vida do felino. São ótimos companheiros.
Acho o poema delicioso e diz bem do que é um gato.
Adoro cães, sempre tive cães. Só uma vez me deram um gato tinha eu dez anos. Terrível experiência. Ele desaparecia e depois voltava...até que não voltou mais. Nessa idade se sofre dobrado. Nunca mais quis gatos. Contudo acho-os lindos.
Beijinhos, Janaína, amiga.
Isabel
Amei esse poema!
Não suporto gatos, mas adorei a poesia. coisa linda!
janaína:
você consegue uns gatos muito malucos. ou todos eles são assim?
romério
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