
[Diálogo verídico, relembrado hoje, em conversa gostosa com minha prima Paloma.]
A costureira da família ia sempre lá em casa, consertar roupas, trocar zíperes, alargar e encompridar nossas roupas de crianças que cresciam. Quitéria era baixa, gorda, suada, tinha por olhos dois pequenos traços, que sumiam quando se ria, mostrando os dentes estragados. Nós a achávamos muito velha, mas devia andar pela casa dos 40 e poucos anos. Um dia, avisou à minha tia:
— Amanhã eu não posso vir. A minha filha, que eu não vejo faz quase 15 anos, está chegando do Recife. Eu vou buscar ela.
O tio, que passava por ali e ouviu a conversa, perguntou, gaiato:
— Quitéria, então você tem uma filha? E eu, que pensei que você fosse virgem!
Ela respondeu na bucha, rindo, os olhinhos sumidos:
— Seu Jorge, e eu lá tenho paciência pra isso?












.jpg)






