Desamparo
Como andar pelo mundo assim sem um amor, um talismã, um cajado, sem um único amigo, um cahorro, uma ovelha, sem ao menos a lembrança de um lugar para chamar de meu? Como seguir assim trôpego e vazio, este buraco por peito, no rosto a ventania sem nome que traz areia, seca os rios e engole as lágrimas que não me descem? Como vagar assim sem liberdade, decidir sem desejo, continuar arrastando vida afora esta pesadíssima, insuportável sensação de não me sentir amado, pior ainda: não merecer ser amado?
Quando eu, a carta do Desamparo, o escolhe, amigo, não resta dúvida: é hora de você baixar armas, e sair correndo a pedir colo e abraço, onde eles estiverem. Você vai se surpreender duplamente: com a enorme quantidade de desamparados e com a enorme quantidade de amor no mundo.









