terça-feira, 29 de setembro de 2009

Às vezes a gente se esquece de como ela é bonita


Amigos, cliquem no título deste post: é tão bom a gente se lembrar da beleza da nossa morada.

domingo, 27 de setembro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O precário equilíbrio da vida


Amigos, tenho estado longe deste blog de que tanto gosto. É que andei por outras plagas, outros espaços, em viagens e atividades necessárias à minha vida. Há bons frutos dessas andanças, entre eles a notícia de que o livro que organizei da poeta Jacinta Passos, minha mãe, está com lançamento previsto para março de 2010, em edição conjunta Edufba/Corrupio. Acho que o livro ficará lindo, pois conta com uma equipe de alta qualidade profissional, e realmente envolvida com o projeto, o que para mim é essencial.

Mas ontem, em meio às atividades boas, uma notícia vinda de longe me arrancou o coração, me quebrou a espinha, me deixou até agora sem fôlego. O André, filho de uma amiga muito querida, um jovem que eu conheci pequeno brincando com meus filhos, de repente descobriu que está com um câncer linfático em estado avançado. Neste momento, encontra-se internado numa UTI de um hospital em Barcelona, tomando altas doses de quimioterapia, lutando para sobreviver, ao lado da família. Sei que muitos de vocês não o conhecem pessoalmente, mas sei também que a maioria de vocês já experimentou essa sensação de extrema fragilidade diante da vida, esse desamparo absoluto, essa emoção que nos irmana a todos, de impotência, vulnerabilidade e esperança. Dirijam um pensamento bom para André e sua recuperação. Os que souberem rezar, rezem por ele.
*Imagem daqui.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sobre gatos e palavras


"Os gatos são palavras com pêlo. Os gatos, como as palavras, rondam à volta dos humanos sem nunca se deixarem domesticar. É tão difícil meter um gato num cesto quando temos um trem para pegar do que ir à nossa memória caçar a palavra exata e convencê-la a tomar o seu lugar na página em branco. Palavras e gatos pertencem ambos à raça dos inefáveis."

Erik Orsenna
(* inefável = aquilo que não se pode nomear ou descrever, tamanha a sua beleza ou estranheza; indescritível, indizível.)
[Erik Orsenna, Dois Verões, ainda sem tradução no Brasil.]
Li o trecho no ótimo blog português bibliotecário de babel . Aqui, abrasileirado por mim.
Imagem daqui
Sobre o intelectual e escritor francês Erik Orsenna, clique aqui (em francês; não encontrei sites sobre ele em português).

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Gatos não morrem

Já tive muitos cachorros, jamais gatos. No entanto, tenho a maior simpatia pelos gatos, animais de personalidade. Alguns de meus amigos mais queridos são apaixonados por gatos. Minha filha Janice teve um gato, que dormia com ela, os dois abraçados, apesar de ela ser alérgica. Acho que, à época do início difícil da adolescência, ela concentrou naquele gato quase todo o afeto que possuía.
Vejam que delícia este poema sobre gatos, escrito por Nelson Ascher para uma amiga cujo gato havia morrido:


Elegiazinha

Gatos não morrem de verdade:
eles apenas se reintegram
no ronronar da eternidade.

Gatos jamais morrem de fato:
suas almas saem de fininho
atrás de alguma alma de rato.

Gatos não morrem: sua fictícia
morte não passa de uma forma
mais refinada de preguiça.

Gatos não morrem: rumo a um nível
mais alto é que eles, galho a galho,
sobem numa árvore invisível.

Gatos não morrem: mais preciso
— se somem — é dizer que foram
rasgar sofás no paraíso

e dormirão lá, depois do ônus
de sete bem vividas vidas,
seus sete merecidos sonos.

Nelson Ascher
(Parte alguma. São Paulo: Companhia das Letras, 2005)

* Imagem daqui

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Diálogos (im)possíveis 14


Recém-casada e muito jovem, eu desejava fazer da minha casa no Rio uma cópia da casa de meus pais. Como havia ganho de presente de casamento uma dessas sinetas de mesa, desejei usá-la, para chamar a empregada, à hora de servir e tirar a mesa (ai que vergonha, não sei como estou tendo coragem de contar isso no blog). A pessoa que trabalhava lá em casa era Maria, uma pernambucana recém chegada do alto sertão, em seu primeiro emprego como doméstica. Expliquei a ela que, toda a vez em que ouvisse a sineta, era porque eu a estava chamando à mesa. Certo dia, escuto um barulho altíssimo na cozinha. Corro para lá e, ao chegar, avisto Maria balançando freneticamente a sineta.

— Maria, que maluquice é esta?

— Ué, a senhora não disse que a sineta era pra chamar? Tô lhe chamando!

(Pano rápido. A sineta é jogada no lixo e jamais substuída.)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Pra começar bem o dia 7


Predestinação

Entra pra dentro, Chiquinha!
Entra pra dentro, Chiquinha!
No caminho que você vai
você acaba prostituta!

E ela:
— Deus te ouça, minha mãe...
Deus te ouça ...

(Ascenso Ferreira, Xenhenhém, obra do modernismo nordestino)
*Imagem: Di Cavalcanti, "As Cores do Brasil"

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Foi maravilha



Amigos: já de volta a Maceiócio, quero dizer que foi bom demais ter comparecido, em Salvador, ao lançamento de Continhos para cão dormir, de Maria Guimarães Sampaio, e Caixa Preta, de Nilson Galvão, da P55 Edições, ambos pela coleção "Cartas Bahianas", que apresenta livros pequenos, em formato de lindos envelopes, com conteúdos variados e textos de bom nível, alguns bastante inovadores.
Eu gostei do alto astral do lançamento, da alegria que reinou por lá, do mundão de gente que apareceu, da solidariedade que se sentia — quase se pegava —, de todos estarem alegres com o sucesso do acontecimento, rindo a toda hora, uns pros outros. Gostei de abraçar muitos amigos e vários e-amigos (ou é-amigos, como dizemos no Nordeste), com quem tantas vezes troquei textos, impressões, sentimentos, e agora sei também como cheiram, se são sorridentes ou mais sérios, zen ou aflitos, como são os desenhos de suas sobrancelhas, seus projetos de vida, suas famílias, nesse acerto entre imaginação e realidade, jogo que abre caminho para novas imaginações, novas perguntas ... Achei Nilson mais descontraído do que imaginava, Menina da Ilha igualzinha à ótima ideia que eu fazia dela, aeronauta achei duas, a fortaleza do rosto sertanejo junto à delicadeza do corpo miúdo, e fiquei com pena de ela não ficar pra nossa pizza no final (é, lá também terminou em pizza), Bernardo eu adorei abraçar, Marcus, o grande organizador, também, Ivonete eu sentia como se já conhecesse, achei falta de Martha, e de abraço em abraço emocionado fui fortalecendo amizades, Maria feito menina, até fita no cabelo no final ela amarrou. Tantas imagens ainda nos meus olhos, Kátia Borges, Vera, Soraya, Ju, o bilhetinho de Renata ... alegria. Sei mais um pouco deles, eles sabem um pouco mais de mim, e seguimos esse caminho de descobertas, encontros, surpresas: criações.


Sem fim

Quando formos ao rio de Heráclito,
vamos perguntar pelo que pode ser.
O que pode ser meu caro Heráclito,
O que pode ser, rio de mim.

Como pode uma tarde de sábado,
ou um rio de janeiro sem fim,
ou as águas de março no âmago
desse rio vermelho carmim.
(Nilson Galvão, Caixa Preta)


"Maria de Lourdes encosta vassoura no portal: Dona Norma, vou ali oiá a batucada. Roupa lascada. Pés estropiados. Boca bem beijada. Quarta-feira-de-cinzas dona Norma readmitiu Maria de Lourdes. Em novembro batizou Lurdinha."
(Maria Guimarães Sampaio, Continhos para cão dormir I)

[Sem fotos, pois a anta aqui se esqueceu da máquina. A imagem escolhida transmite o ambiente que senti]

terça-feira, 1 de setembro de 2009

É hoje!

Minha gente, me abalei de Maceió até Salvador só para comparecer a este lançamento, a este grande encontro, não só com Maria e Nilson, mas com vários e-amigos e amigos. Livros de primeira, gente de primeira: vá também, vale a pena!